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14anos ESSE CONTEÚDO É PROIBIDO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gênese
X-01
Informações Gerais
Série X-Men (NMU)
Temporada
Arco Primeira Classe
Número do Episódio 1
Sequência
Episódio Anterior -
Episódio Seguinte -
Créditos
Escrito por Ark F. Scene

Gênese é o primeiro episódio da série X-Men (NMU).

SinopseEditar

O professor Charles Xavier recrutou cinco dos mais poderosos mutantes que já conhecera para salvar um mundo que os teme e os odeia. Mas há um problema — eles são adolescentes que precisam sobreviver a seus hormônios e incontroláveis super-poderes, tudo isso enquanto lutam por suas vidas. Nesta aventura dos X-Men, a primeira classe do Professor X é forjada nas chamas do combate.

EnredoEditar

A cinco quilômetros da cidade mais próxima, em Westchester, Nova Iorque, na Alameda Graymalkin número 1407, encontra-se uma grande mansão, e frente a ela para um táxi. Do táxi emerge uma jovem garota de cabelos cor-de-fogo, de aproximadamente 17 anos, sem a menor ideia do mundo de que passaria a fazer parte. Para ela, a mansão parecia bem maior do que em fotos.


Enquanto retirava as malas do porta-malas do táxi e se dirigia à porta da mansão, notava a inscrição gravada em uma placa logo na entrada: Escola Xavier para Jovens Dotados. A ela, aparentava mais como uma grande mansão assustadora do que qualquer outra coisa. Seu pai dissera que não tivera escolha, sua mãe não tivera o direito de opinar muito. Eles estavam com medo, mas ela não os culpava. As coisas que ela podia fazer, acordando no meio da noite com tudo que não estava preso ao chão flutuando ao redor dela. Mas a gravidade sempre voltava quando acordava. Antes mesmo de saber o que ela era, o professor foi até sua porta, dizer a seus pais sobre este lugar, dizer sobre como poderia a ajudar. Eles não tiveram escolha. Ela não teve escolha. Onde mais no mundo ela poderia aprender a controlar estas coisas que podia fazer? Onde mais ela poderia se esconder? Apenas o homem que morava naquela mansão de arquitetura antiga e tijolos cinzentos poderia a ajudar em um momento assim.


 — Bem, aí vai...  — disse quase sussurrando a si mesma ao chegar até a porta da mansão, após um longo caminho de pedra meio a qual encontrava-se um belo chafariz, cuja beleza, entretanto, não era capaz de a acalmar. Logo após o soar da campainha, ouviu uma voz responder de dentro da residência, uma voz um tanto grossa, mas não necessariamente adulta.


 — Olá, um segundo.  — disse, antes de destrancar a porta e ficar frente a jovem. Era um rapaz alto, de cabelos morenos, vestido com uma camisa básica branca e bermudas cargo. Rapidamente, a jovem foi capaz de notar seus pés e mãos estranhamente grandes, além de um físico um tanto avantajado para alguém de feições não muito velhas.  — Sim?


 — Eu... sou Jean Grey.  — se apresentou, um pouco apreensiva.


 — A nova garota... Sim, mas é claro. Por favor, entre.  — disse, com um leve sorriso, que deixou a ruiva um pouco mais segura.


 — Obrigada. — agradeceu, enquanto adentrava o átrio da grande mansão, observando dois largos corredores a sua esquerda e direita, enquanto uma grande escadaria dava um tom de ainda mais grandiosidade a mansão. — Onde posso encontrar o professor Xavier?


— Em seu escritório. Ele pediu que a apontasse para vê-lo quando houvesse chegado. Hank McCoy, aliás, é um prazer, senhorita. — disse com uma voz suave, contrastante com seu aspecto físico rústico e tom mais grave de falar.


— Jean Grey. — repetiu, um pouco nervosa. Se sentia insegura até mesmo a respeito do seu nome naquele momento. Não queria passar vergonha, gaguejando, ou algo similar a isto. Não podia passar.


— Sim, a senhorita disse. — observou o rapaz, com um leve sorriso. Ele entendia o nervosismo da moça, e não se importava nem um pouco. Talvez se ela soubesse desse fato se sentiria mais a vontade.


— Ah, sim, acho que eu disse. Desculpa, eu tô nervosa. — se justificou, com um sorriso tímido. Será que tinha parecido distraída ou estranha? De qualquer forma, era melhor mudar o rumo da conversa antes que o interlocutor reparasse. — Então.. você é um aluno?


— Estive aqui por quase dois meses. — respondeu, apoiando-se no corrimão de madeira da escadaria. — Você vai gostar daqui. Só leva um tempo para se acostumar.


Antes que pudessem continuar a conversa, um garoto de cabelos castanhos desceu deslizando pelo corrimão da escadaria, então se colocando ao lado de Hank. Parecia um tanto novo, e vestia calças jeans largas combinadas com uma camisa básica branca. Ajeitando sua bandana, que brandia um X vermelho logo na frente, se dirigiu para cumprimentar a moça.


— Eaí, você deve ser a Jade. — disse o garoto, meio desajeitado, estendendo sua mão para cumprimentar a ruiva.


— Jean. — corrigiu, enquanto analisava o jovem. Parecia um tanto novo, mas isso não era um problema. Não ser a mais nova na mansão lhe parecia algo bem mais reconfortante do que aquilo que lhe passara anteriormente pela cabeça.


—Uhum. Como vai? Sou o Bobby. Bobby Drake. — foi logo dizendo sem prestar muita atenção na correção de Jean. Queria parecer descolado para a garota nova. Não que estivesse funcionando.


— Quantos anos você tem? — perguntou a ruiva, tentando discernir algo de estranho nele, mas falhando. Parecia normal... mas não poderia ser, ninguém ali poderia. Era uma escola para jovens "dotados", não um simples internato de férias.


— Quinze, por quê? — respondeu, logo questionando. Não gostou da pergunta pela ideia implícita de que ela havia achado sua aparência muito nova, fato agravado ainda mais por estar ao lado de Hank, claramente mais alto.


— Ah, eu achei que fosse ser a mais nova aqui. — disse, esboçando um sorriso amigável, enquanto observava outro jovem descer as escadas calmamente, desta vez um pouco mais velho, e claramente diferente. Nas suas costas, asas brancas. Asas de anjo.


— Temos todos em torno da mesma idade. O picolé é o mais novo. — esclareceu o jovem loiro, de expressões sérias, enquanto descia as escadas e cumprimentava a garota. — Como vai?  Sou Warren Worthington.


— Nome chique. — zombou a garota, mas logo depois se arrependeu, pensando se não havia sido mal-educada. Ela lembrava de ter ouvido o sobrenome em algum lugar antes, talvez no rodapé de algum jornal, designando um político ou algo assim. Talvez este Warren fosse de alguma família poderosa. Certamente se portava como se fosse.


— É, Isso que não disse que sou o terceiro. Não quero que se intimide, já que imagino que vamos ser amigos, morar juntos, e todas essas coisas. — disse, com um leve movimento de suas asas. Os outros não pareciam achar aquilo nem um pouco estranho.


— Vocês são todos? O professor disse que não tinha muita gente ainda... — perguntou, imaginando como seria quando, e se, aquele lugar estivesse cheio. Não via problema em conviver com várias pessoas, mas tinha medo de que, por algum motivo, não gostassem dela.


— Ah, é a gente e o Scott. Scott! Desce aqui, a garota nova chegou! — respondeu o garoto mais novo, antes de gritar na direção das escadas. O eco produzido pela voz do garoto deixava claro o tamanho do lugar. — Deve ser estranho ser a única garota.


— É, acho que vai levar um tempo pra me acostumar. — respondeu a jovem, agora um pouco mais confortável. Tinha gostado do lugar, e seus novos amigos pareciam ser simpáticos, além de um tanto peculiares.


— Não vamos morder. Somos cavalheiros. — constatou Warren, tentando ser simpático, antes de fitar o garoto mais novo, que o olhou de volta com uma expressão de provocação. — Bem... quase todos nós.


Logo, um jovem de coturnos pretos, cabelo castanho desarrumado, e óculos escuros vermelhos desceu a escada e se aproximou do grupo, sem dizer uma palavra. Portava-se de maneira ordenada, quase que como um militar, mas sua expressão facial aparentava mais tédio do que qualquer outra coisa.


— Scott. Essa é a Jean. — apresentou o mutante loiro, tentando fazer com que houvesse alguma interação ali, mas sem expectativa de muito sucesso. Sabia que seu companheiro era alguém de poucas palavras.


— Eaí — disse o rapaz de óculos vermelhos, sem muita expressão. Ele não queria ser antipático, só não sabia o que mais dizer além disso. No fundo, achou-a bonita, porém não sabia lidar com este fato.


— Olá... — respondeu a ruiva, um pouco intimidada. O garoto não parecia ser má pessoa, mas um pouco introvertido e rígido. Talvez fosse apenas questão de tempo para ele se soltar. — Então vocês são todos... mutantes?


— Isso nós somos. — disse o jovem mais robusto, de forma orgulhosa. Ele parecia ser o mais inteligente do grupo, ao olhar da novata, principalmente pela maneira com que construía cada frase que era dita.


— E o que podem fazer? — questionou a ruiva, curiosa até mesmo sobre aqueles cujos poderes pareciam bem explícitos entre eles — Se não se importam que eu pergunte.


— Eu atiro gelo. Não vem de dentro de mim, mas é só me dar um copo de água que eu consiga fazer ele ficar bem gelado. — afirmou, de maneira um tanto quanto arrogante. Suas habilidades com gelo ainda não eram tão boas quanto sua percepção delas.


— Magnífica descrição. — zombou Hank, consciente de que o colega havia dado este exemplo por não poder congelar coisas muito maiores ainda sem uma fonta prévia de umidade.


— Acho que já conseguiu perceber o que o professor chama de meu dom. — disse Warren, movendo um pouco suas asas — Fora isso, tenho basicamente a fisionomia que a espécie humana teria se tivesse evoluído das aves.


— É, ele é um papagaio, pode voar e fala mais do que deveria — disse o garoto mais novo. O tom de mútua piada parecia predominar entre os dois rapazes. Apesar disso, pareciam bons amigos, assim como todos ali. — A gente chama ele de Anjo.


— E eu, bem, eu... — tentou explicar Hank, olhando para suas mãos e pés por um breve momento. Sua mutação não era tão óbvia quanto a de Warren, mas também não seria tão surpreendente quanto a de Bobby.


— Ele é tipo um gorila. Tem pés grandes e uma força absurda. Pode se pendurar por aí igual um macaco também. — interrompeu Bobby, novamente fazendo uma piada. Piadas pareciam ser a forma preferida do jovem de se expressar.


— De fato, é algo neste sentido mesmo. — concluiu Hank, com um leve sorriso, sem se importar com a tiração de sarro de seu companheiro. Afinal, retribuiria uma hora ou outra, como sempre fizeram.


— E você, Scott, o que você faz? — perguntou ao rapaz de óculos que encontrava-se encostado no corrimão da escada, sem prestar muita atenção na conversa que se desenrolava.


— Ah, então... esse óculos, se eu tirar, meus olhos destroem esse cômodo. É como se fosse um raio de força vermelha. — explica, ajeitando seus óculos, mas sem muito ânimo. Diferente dos outros, não parecia gostar muito do que pode fazer.


— Você precisa usar os óculos o tempo todo? — questionou a ruiva, curiosa, enquanto tentava discernir de que material poderiam ser feitas as lentes dos óculos.


— Enquanto meus olhos estiverem abertos, sim. — respondeu Scott, quase que como se estivesse lamentando ter de o fazer.


— Deve ser bem chato. — comentou Jean, sentindo um pouco de pena da condição do rapaz. Parecia ser prisioneiro de si mesmo.


— É. — concluiu o garoto, como se estivesse dizendo algo óbvio. E, de fato, assim era.


— Me desculpa. — disse, rapidamente, a jovem ruiva, pensando que poderia ter sido um pouco insensível em sua colocação. — Eu não quis ser...


— Eu sei. — interrompeu o jovem de óculos, com um sorriso leve, o primeiro que dera desde que descera as escadas. — Não se preocupe.


— E você? O seu poder é ser bonita? — perguntou Bobby, rindo.


— Eu... eu posso mover as coisas com a minha mente.


— Que tipos de coisa? — questiona o Anjo.


— Tudo... mas eu não sei controlar. É por isso que estou aqui.


— É por isso que estamos todos aqui. — completou Hank.


— É, mas não significa que a gente não tem aula de todo o resto.  O professor nos ensina todos os bagulhos chatos junto com a educação mutante. — comentou o mais jovem do grupo.


"Jean" disse uma voz dentro da cabeça da jovem ruiva. "Se já se apresentaram, eu estou pronto para recebê-la agora". Era o professor Charles Xavier, e parecia que os outros também haviam ouvido.


— Nossa. — exclamou a ruiva. — Não sei se vou conseguir me acostumar com isso.


— Pois irá. — comentou Hank.


— É melhor eu subir pra ver ele. Foi legal conhecer vocês. — disse ela, enquanto subia a escadaria. — Vejo vocês depois.


— Se precisar de algo, nos avise. — disse o Anjo.


— Eu aviso. Obrigado, pessoal. — respondeu, e subiu as escadas.


— Ela é muito bonita, pode até derreter meu gelo. — comentou Bobby pra Warren.


— Vamos lá, Bobby, precisamos voltar ao treino antes que ela vá te denunciar na delegacia. — zombou o garoto loiro enquanto puxava a bandana preta que Bobby usava na cabeça, com um X vermelho na frente. — Você vem, Scott? — Que? Ah, sim, tô indo, Warren.


Ao final das escadas, a garota andou pelos longos corredores guiada por imagens mentais daquele lugar no qual ela nunca havia estado até uma porta aberta, a porta do escritório do professor. Ao entrar, observou que uma outra mulher, adulta, mas um pouco mais nova que Xavier, também se encontrava na sala.


— Entre, Jean. — disse o professor, por detrás de sua escrivaninha, enquanto a ruiva adentrava o cômodo. — Por favor, sente-se. O que está achando da escola?


— É ótima. — respondeu, enquanto sentava-se frente ao professor.


— E os outros estudantes? Eu sei que deve ser difícil ser a única jovem no campus.


— Tá tudo bem, eu gostei deles. — respondeu, com um sorriso sincero.


— Colocar uma garota bonita aqui com todos aqueles adolescentes é como jogar um canário no meio de um monte de gatos. — disse a outra mulher, em tom de brincadeira.


— Vai ficar tudo bem, Moira. — respondeu-a Charles, sem realmente achar graça na piada. — Jean, eu gostaria de lhe apresentar à minha colega: doutora Moira MacTaggert. Ela me ajudou a organizar a escola.


— Prazer em te conhecer, Moira. — cumprimentou Jean.


— O mesmo, Jean. Vamos te ajudar a se acomodar então. — respondeu Moira, enquanto caminhava na direção da porta. — A não ser que tenha mais alguma coisa, Charles...


— Bem, eu gostaria de passar por algumas coisas. Mas acho que isto pode esperar. Entretanto, uma pergunta: houve algum problema com a telecinese desde que nos vimos pela última vez, minha jovem?


— Não. Não senti mais nada.


— Está bem, vou deixá-la acomodar-se então. Durma esta noite e amanhã podemos começar a desbloquear seu poder, um pouco de cada vez.


— E depois? — questiona a jovem, um pouco apreensiva.


— Hm?


— Pra que vai servir isso? Só pra impedir a gente de quebrar coisas? Pra nos esconder? Ou nós vamos usar pra alguma outra coisa?


— Vamos falar disto depois, podemos? — disse o professor, sem realmente responder a pergunta da jovem.


— Nada. Você não vai precisar fazer nada com eles, Jean. — interrompeu Moira, olhando para o professor com uma expressão de repreensão. — Nada que não queira.


— Não vamos fazer isso agora, Moira... — disse Xavier. — Um dia, Jean, você pode precisar usar seus dons para defender a si ou aos outros estudantes. A escola tem o intuito de prepará-los para os desafios da vida a frente. Como mutantes, nosso desafios são um tanto únicos. Se eu não ajudá-la nesse sentido, estarei a deixando indefesa.


— O que quer dizer com nos defender? Tipo, usar nossos dons contra os outros?


— Absolutamente não. — disse Moira, se exaltando.


— Moira, vá ajudar a Jean a se acomodar. — disse Xavier, antes que a conversa se extendesse.


— Então venha, querida. — disse, Moira, colocando a mão em um dos ombros de Jean antes de seguir para a porta.

Três semanas se passam enquanto Jean começa sua vida na Escola Xavier, mas agora as atenções se viram para uma base na América do Norte, uma base cujo nome não é conhecido pelo resto do mundo, cuja existência tem sido uma de rotina mundana. Mas naquele dia, a Citadela do Cabo seria o centro das atenções do mundo. A Citadela do Cabo seria onde tudo começaria.


— Algo a reportar, soldado? Câmbio. — pergunta um oficial pelo rádio a um soldado na passarela da base militar.


— Não, senhor, tudo limpo. Câmbio.


Antes que pudesse continuar, no entanto, a passarela treme. A própria torre de vigia é entortada por uma força gravitacional tremenda e reduzida e escombros em poucos segundos. As cercas elétricas começam a se retorcer enquanto os soldados podem apenas admirar em panico e confusão quando suas armas e facas se levantam no ar e se viram, agora apontando diretamente para eles.


— Lhes aconselho não se moverem. Um mísero movimento e apertarei o gatilho, aniquiliando-os com suas próprias armas.


Do céu ele veio, pousando na passarela frente aos soldados, seu longo manto roxo e capacete espartano reluzindo sob a severa luz do sol.


— O que você quer, seu maluco? — pergunta um dos soldados.


— Esta base. E vocês me assistirão ao me indicarem seu centro de comando. — respondeu o homem, com uma voz calma, mas imponente e orgulhosa.


— Uma ova. Vamos morrer antes de-- — e faz-se o estampido de um tiro, que perfura o crânio do soldado com uma força absurda, força muito maior do que a própria arma seria capaz de provocar. A brutalidade do homem só era comparável a sua frieza.


— Mais alguém? — questionou o homem, com uma voz desapontada.


Os homens olham ao redor, engolindo o medo enquanto seu oficial superior encontra-se prostado em sua frente, sua cabeça agora deformada pelo impacto sujando o chão de sangue.


— Melhorou... Agora me mostrem vosso centro de controle e contatem seus superiores, tenho uma mensagem para eles.


De volta à Mansão Xavier, o treinamento formativo de Jean Grey continuava.


— Firme. Firme, Jean. — dizia Xavier, enquanto Jean Grey usava sua telecinese para segurar um copo em pleno ar. — Muito bem, agora coloque o copo na mesa.


— Estou tentando... Eu... Eu não consigo. — ela diz, antes de derrubar o copo, quebrando-o na mesa. — Meu Deus, me desculpa.


— Não, não, está tudo bem. Estamos chegando lá. — responde o professor, a consolando. — A prática leva à perfeição.


— Professor! Professor Xavier, é melhor o senhor ver isso! — disse o Anjo, correndo até a cozinha onde estavam Jean e Charles.


Rapidamente, todos se reuniram na sala de estar, onde o noticiário dizia "Esta foi uma cena vista momentos atrás, quando um homem fantasiado flutuou, sim, como pode ver, flutuou sobre Citadela do Cabo. Fomos informados que ele está usando algum tipo de controle de campo magnético e gravitacional para manter a base e seus ocupantes reféns. Essas foram suas palavras momentos atrás:


— Homo sapiens do mundo, ouçam minha voz. Eu sou Magneto, e sou um membro da espécie que é o próximo estágio de vossa evolução. Eu sou homo superior. Alguns de vocês nos chamam de mutantes. Como podem ver, meus dons permitiram que eu sozinho tomasse a Citadela do Cabo. Eu o faço apenas como exemplo do poder que detenho. Que nós, como espécie, detemos. Eu estou agora em controle das armas, tanques, e aeronáutica designadas a esta base, e usarei contra qualquer um que tentar entrar na base ou parar o que vem a seguir. E aos meus irmãos mutantes, digo isto: venham, venham à Citadela do Cabo, venham e fiquem ao meu lado. Nosso tempo está aqui. A era dos humanos está acabada."


— Por Deus dos céus... — exclamou Hank.


— Charles, é o-- — tentou exclamar Moira.


— Eu sei, Moira. Erik.


— Erik? — questiona Warren.


— Erik. Eu o conheci como Erik Lensherr. Nós fomos amigos por muitos anos até que nossas visões para a mutandade nos dividiu.


— Essa roupa é meio exagerada, não é não? — zomba Bobby — E qual é a do capacete de Darth Vader?


— Ele obviamente desenvolveu um gosto pelo teatral. — responde Charles, não muito contente com as brincadeiras do garoto.


— Mas eles vão conseguir parar ele... Não é? — questiona Scott, apreensivo.


— Erik tem o poder de controlar o espectro eletromagnético. Não há arma no mundo que não sucumba a isto.


— Então ele pode fazer isso? Começar uma revolução? — pergunta Scott, surpreso.


— Começar uma guerra parece mais apropriado. — comenta Hank, com uma expressão preocupada.


— Sim, Henry. E eu temo que a humanidade perderia esta guerra. Especialmente se outros se juntassem a ele. Erik tinha incrível domínio sobre seus poderes quando eu o conhecia. Agora... Agora ele pode realmente ser este Magneto.


— Podemos fazer algo. — diz, Scott, se levantando do sofá e se virando para os outros. — Quero dizer, nós temos poderes também, e o senhor nos mostrou como usá-los para nos defendermos.


— Absolutamente não, meu jovem! —exclama Moira, preocupada.


— Mas por quê? — pergunta Bobby — Eu posso congelar esse maluco. Da última vez que eu vi, gelo não tem metal nenhum pra ele controlar.


— Minha força e agilidade se tornam cada vez mais eficazes conforme os dias se passam, professor. — contribui Hank.


— É o suficiente, todos vocês. — diz Moira, indignada.


— Não, Moira. — interrompe Xavier. — Eles podem estar certos. Todos nosso treinamento pode ter nos guiado até este momento: uma chance de provar para o mundo que podemos protegê-los. Mostrá-los que nem todos os mutantes são tão perigosos ou destrutivos quanto Erik.


— Não pode estar falando sério. — Moira se indigna mais ainda — Eles são crianças, Charles!


— Eles só precisam me levar até perto dele. — explica Xavier — E então posso desligar sua mente e acabar com isso antes que comece. Mas, Jean, você permanecerá aqui.


— Ei, espera, se todo mundo tá indo parar esse Magneto, então eu também estou. — ela responde, firmemente — Eu posso não conseguir ser gentil usando meus poderes, mas eu com certeza consigo usá-los contra ele.


— Vocês deviam escutar o que estão falando! — exclama Moira — Esse homem já matou. Isso não é um jogo.


— Eu irei com eles. Para protegê-los, Moira — interfere Charles — Henry, o helicóptero está pronto?


— A gente tem um helicóptero? — questiona Jean, surpresa.


— Uhum. O Hank tá aprendendo a pilotar. Tem até uma metralhadora. — comenta Bobby.


— O quê? — se surpreende ainda mais a jovem.


— Esquecemos de te mostrar isso. — diz o Anjo.


— Não pareceu urgente. — finalizou Xavier — Henry, está pronto para voar?


— Sim, senhor.


— Você tem um uniforme para todos?


— Um uniforme? — questiona Bobby, animado.


— Uniformes protetivos feitos de moléculas instáveis, cortesia de um amigo meu, para a segurança de vocês. Além do que, precisamos chamar atenção. Se Erik quer dar um show, precisamos dar um melhor que o dele. Precisamos ser símbolos tanto quanto salvadores.


— Espera, então o senhor planejava que isso acontecesse? — questiona Scott.


— Não assim, não. — nega Charles — Mas eu já havia preparado tudo em caso de um dia necessitarmos ir a campo. — Ir a campo? É assim que vamos chamar? — questiona Moira, ainda indignada.


— Henry, você os terminou? — pergunta Xavier.


— Sim, senhor, eu usei as medidas que me concedera.


— Então vamos nos vestir.


O helicóptero negro dá a partida enquanto os jovens, agora vestidos em uniformes azuis e amarelos, entram a bordo. — Charles, isto é loucura! — exclama Moira — Eu sou capaz de ligar para os pais destes garotos e mandá-los todos para casa agora mesmo.


— Moira... Isto é um problema mutante. Nenhum poder no mundo pode resolvê-lo. Mas nós podemos. Um problema de mutantes deve ser resolvido por mutantes. E Erik não fará mal se eu conseguir fazê-lo escutar. — responde Xavier.


— Você não vai conseguir. — interrompe Moira, com pesar — O Erik se foi, Charles. Talvez ele não machucasse vocês. Mas o Magneto vai.


— Moira... Eu--


— Vai. — ela diz, com uma expressão ainda preocupada — Se você sente que precisa ir, então vai. Mas se você for, eu não vou estar aqui quando voltar.


— Aonde irá?


— Para casa. Os mutantes precisam de mim também, Charles. Mas eu faria isso a minha maneira.


— Moira, eu... Eu sentirei sua falta.


— E eu a sua, Charles. — responde Moira — Cuida deles. Eu sei que não vai se perdoar se perdê-los.


— Eu cuidarei. — ele responde.


— Qual é a dos óculos especiais? — Jean pergunta, falando do visor de Scott.


— O professor e eu os idealizamos. — responde Hank — Eles controlam suas rajadas ópticas, assim como fazem seus óculos normais. Com o visor, entretanto, basta ele apertar ambos botões nos dedos de suas luvas ou aquele no próprio visor para liberar a quantidade energia que desejar.


— A gente chama ele de Ciclope. — comenta Bobby.


— Entendi... Então a gente realmente tá indo pra brigar. — diz Jean, um pouco apreensiva.


— Esperamos que não. — comenta Hank, rindo um pouco para confortar a moça — Mas se o nosso velho amigo não concordar... Bem, nós estaremos prontos.


— Certeza que tá pronta pra isso? — questiona Warren — Nós estivemos aqui muito mais tempo.


— Vou ficar bem. Obrigada, Warren.


— Certo, Henry, vamos lá. — diz o professor, se assentando.


— Espero que suas aulas de pilotagem tenham valido a pena, Fera. — comenta o Anjo.


— Bem, se não valeram, espero que Bobby tenha descoberto uma maneira de esculpir paraquedas de gelo. — zomba Hank.


Em Citadela do Cabo , Magneto encontrava-se em uma larga câmara, as paredes meio pedra e meio ferro polido, alinhadas com equipamentos de computador, medidores eletrônicos, e máquinas que piscavam e vibravam. — Por quanto tempo vai nos manter aqui assim? — pergunta um dos reféns.


— Até eu constatar o contrário. — responde o senhor do magnetismo — Mas começo a ficar aflito pela falta de resposta. Por ventura podem precisar de mais uma demonstração de meu poder.


— O que está fazendo?


Do lado de fora, um míssel ascende da base e entra na visão das janelas da sala de comando.


— Aquele míssel... Qual é sua potência?


— Suficiente pra destruir uma cidade inteira. — responde o homem, assustado.


— Como a cidade aqui ao lado. — diz Magneto, antes de ser interrompido por um alarme — Alguém está na pista de pouso. Vejo que minha mensagem não se fez clara o suficiente. Muito bem...


Na pista de pouso da base, o helicóptero negro pousava.


— Chegamos. Anjo, suba e verifique a área. — requisita o professor Xavier.


— Não comecem a me chamar disso agora... — reclama Warren.


— Certo, estudantes, eu--


Antes que Xavier pudesse dizer outra palavra, as paredes do helicóptero começaram a ruir e se compactar.


— Todos pra fora! Agora!


O helicóptero implode e é jogado de lado.


— Meu Deus... — exclama Ciclope.


— Vocês não são as forças armadas. — comenta Magneto, logo fitando o professor Xavier. — Charles...


O grupo olha pra cima, enquanto sobre eles flutua orgulhoso Magneto. Aquela era uma cena que os então adolescentes jamais esqueceriam, a cena que mudaria suas vidas para sempre.


— Saudações, Erik. — responde Charles — Já está na hora de isto acabar.


Charles tenta um ataque mental contra Magneto, mas é barrado pelo seu elmo. O mestre do magnetismo então ri, e responde.


— Tentando me derrubar, velho amigo? Temo que tenha me preparado para isto. — responde Magneto, zombando — Mas não importa. Estas crianças... Elas são homo superior? Devo admitir que apreciei seu estilo de vestimenta... Você sempre gostou de amarelo.


— O elmo. Deve protegê-lo contra habilidades psíquicas. — pondera o Fera — Fascinante.


— Você deve ser o mais esperto. —  comenta Erik.


— Estes são meus estudantes. — interrompe Xavier — Você não irá machucá-los.


— Mesmo assim você os trouxe aqui... — diz Magneto — Na esperança de que pudessem lhe auxiliar, sem dúvida. Entretanto, também pensou que poderia me parar com um único pensamento.


— Ou apenas algumas palavras racionais. — diz o professor.


— Eu não sou o homem que um dia conhecera, Charles. Eu sou Magneto, e eu não mais irei esconder meus dons destes neandertais. Nós somos a nova ordem. Eles vão nos servir. Ou morrer. — diz Magneto, firmemente — Eu sei que não posso lhe persuadir, caro amigo... Mas vocês, crianças, vocês são o futuro deste mundo. De nossa gente. Juntem-se a mim. Não se escondam nas sombras. Não mais se amedrontem perante essas criaturas inferiores. Sejam o que nasceram para ser.


— Obrigado. — responde Scott — Mas não, obrigado.


— Quanta lealdade, o que será que ele teve de fazer para conquistá-la? — questiona Magneto, antes de continuar — Uma pena, eu suponho que tenha de dar um exemplo ao mundo. Apenas uma linhagem pode reinar, e os outros de nossa gente precisam saber: é a minha.


— Estamos em cinco e você é só um. — desafio o Anjo — Tenta a sorte, velhote.


Magneto ri.


— O que vais fazer, garoto? Dar um rasante em mim?


— Chega. Já escutei demais. — diz Scott, antes de apertar o botão em seu visor e liberar uma rajada óptica de intensidade média.


Com um movimento rápido de suas mãos, Magneto para a rajada no ar, a dissipando em uma explosão contida entre ele e o grupo. Despreocupado, ri.


— Basta... — diz o homem, com uma voz de tédio, enquanto o chão e os escombros do helicóptero começam a se erguer e convergir na direção de seus adversários, além das próprias hélices do helicóptero.


Os jovens fazem o que podem para desviar dos objetos, enquanto Ciclope os afasta através de rajadas. Alguns destroços os atingem, no entanto, o último derrubando Scott ao chão. Magneto então, cessa os ataques.


— Erik, pare. Agora. — ordena Charles.


— Não, Charles... — responde Erik, enquanto destroça a cadeira de rodas do professor, o levantando no ar frente a si. Ciclope responde com mais uma rajada rápida, que desta vez é revertida na direção dele.


— Scott! — grita Jean, que logo percebe que o rapaz, embora tenha sofrido o impacto, não se feriu, graças a seu corpo ter absorvido a energia sem maiores complicações. Não houve tempo para mais, entretanto, já que o chão e os destroços novamente começam a se levantar, agora em chamas. — A base inteira tá se levantando na nossa direção!


"Proteja-os, Jean! Use seu poder!" pede Xavier, mentalmente.


"Eu não tenho esse tipo de controle!"


"Faça força na direção oposta vocês! Você consegue!"


Sem muita opção, a garota faz o máximo de força que pode, gerando um campo de força psiônico ao redor de si e de seus companheiros. De dentro do campo de força, observam os objetos colidirem, entrando em combustão assim que tocam no campo de Jean. Aparentemente, os poderes de Magneto não se limitavam apenas o controle do metal. Até mesmo escombros explodiam em reações quase nucleares na direção dos jovens.


— Pra cima dele... — afirmou Ciclope, se levantando, ao mesmo tempo que Jean desfez o campo de força ao redor deles.


Hank se move como um primata enquanto escala a parede do prédio próximo, se propulsionando no intuito de acertar um chute em Magneto. Antes que o atingisse, no entanto, uma porta de metal vem voando e atinge Hank com toda força na cabeça.


— Desgraçado! — Warren grita, enquanto voa na direção de Magneto, quase o alcançando quando é parado no ar e jogado ao chão pelo mestre do magnetismo. Não percebe, entretanto, uma rajada óptica vindo em sua direção, sendo atingido em cheio por Ciclope.


"O elmo. Tirem o elmo" ordena professor Xavier. Ciclope continua lançando rajadas contra Magneto, desta vez sem efeito, mas com constância o suficiente para cobrir o campo de visão do homem mais velho de luz vermelha. Entretanto, um pedaço do que um dia fora uma parede voa na direção de Ciclope, o jogando para trás.


— Chega de jogos. — Magneto exclama, enquanto derruba Warren com um pedaço de corrimão, o amarrando com o ferro.


— Pessoal! Ajuda! — Warren grita enquanto o metal se aperta em torno de suas pernas, braços, e asas, o prendendo, e então cerceando seu pescoço como uma forca, o prendendo na parede analogamente a uma.


— Não! — grita Hank assim que se levanta, pulando na direção de Magneto, mirando um soco em sua face. Da lateral vem um tanque, que teria atingido Hank se ele não tivesse sido capaz de se abaixar em meio ao pulo para evitá-lo. Seu pouso parece-se mais com uma queda quando cai ao chão.


— Pessoal! Armas! — Jean aponta enquanto três metralhadoras agora flutuam sobre eles a apontam diretamente para o grupo. Rapidamente, a garota levanta o campo de força. — Eu... não consigo... segurar...


— Pensaste que poderia trazer estas crianças para me parar, Charles? Me sinto insultado.


Enquanto isso, Bobby permanecia parado, tentando se focar o suficiente para produzir uma armadura de gelo sobre seu corpo.


— Droga! Droga!


— Bobby... — diz o Fera, enquanto coloca a mão sobre o ombro do amigo e aponta para um refrigerador nos destroços do helicóptero que se encontravam perto dele.


— Valeu, Fera. — agradece Bobby, enquanto forma sua armadura de gelo. Rapidamente, faz um sinal com a cabeça para Jean abrir o campo de força, e lança uma rajada enorme de gelo capaz não só de impedir as balas e travar as armas, como também de acertar em cheio o campo de força de Magneto, que só é capaz de levantá-lo no último momento.


— Continuem, pessoal. — diz Ciclope, enquanto atira com toda sua força na direção do aspirante a tirano. Aproveitando a abertura, Jean corre na direção de Warren, o livrando de suas amarras. Bobby, por sua vez, aproveita os curtos intervalos de Scott para lançar ainda mais rajadas de gelo contra Magneto.


— Já chega. — exclama Magneto, finalmente aparentando alguma emoção, enquanto o chão se ergue no caminho dos estudantes. Enquanto os destroços caem sobre eles, são capazes de observar Magneto ascendendo ainda mais e se movendo para longe deles, deixando o professor Xavier cair ao chão, sendo segurado pelo Fera. — Não é o fim disto, Charles, não esquecerei o que fizeram aqui hoje. Vocês são todos traidores para nossa gente.


— Ele foi embora! — afirma Jean, aliviada. — A gente ganhou!


— A gente ganhou? — questiona Bobby, ainda incrédulo — Caraca, a gente ganhou!


— Professor, o senhor está bem? — pergunta Ciclope ao professor.


— Estou. Obrigado, Scott.


— Onde crê que ele está indo? — questiona Hank.


— Eu não sei. — responde Charles — Mas se eu conheço o Erik, o veremos novamente antes do que imaginamos. — Então... como voltamos pra casa? — pergunta Warren.


— Eu iria sugerir que peçamos um táxi até o aeroporto. — comenta Charles — Mas primeiro...


O professor se concentra, adentrando a mente de todos os que ainda estavam vivos naquela base, apagando quaisquer memórias detalhadas das aparências dos personagens que vieram a conhecer naquele dia.


— O que está fazendo, professor? — questiona Scott.


— Garantindo que não se lembrem de como nos parecemos. Nossos rostos, quero dizer. — explica o professor — Tudo de que quero que se lembrem são os uniformes, e de que nós somos mutantes.


— Não acho que o mundo vai esquecer isso tão cedo. — comenta Jean.


Desgastados e cansados, o time e seu professor agora retornam pelas portas dos fundos até sua mansão-escola.


— Nunca pensei que estaria tão feliz de estar de volta aqui. — comenta Warren, deitando-se no sofá.


— Então ficará feliz de saber que não sairá daqui tão cedo. — afirma Charles.


— O que? Por quê? — questiona Bobby.


— Moira estava certa, eu pensei que poderia argumentar com ele. Todos vocês poderiam ter sido mortos hoje. — discorre o professor — Eu nunca correrei esse risco novamente.


— Com todo respeito, senhor, nós nos saímos bem lá fora hoje. — interrompe Scott — Nós nos cuidamos.


— Nos cuidamos? Nós arrebentamos! — conclui Bobby.


— Nós tivemos sorte... — diz Xavier, com uma voz consternada — Erik não se importava com aquela base, era só um show, um espetáculo para mostrar ao mundo o que os mutantes são realmente capazes de fazer. No fim, nós o ajudamos nisso. Vocês não estão prontos para gente como ele.


— Então nos treine. — diz Jean — Nos faça sermos melhores, e, quando ele voltar, a gente vai estar pronto.


— Hm. — murmura o professor.


— Vamo lá, professor. — pede Warren — O senhor mesmo disse: é pra isso que estivemos treinando!


— Certo. — diz Ciclope — E se somos os únicos que podem parar gente como seu velho amigo, muitas pessoas inocentes vão precisar de nós.


— E Erik certamente desejará vingança pela maneira com que o embaraçamos frente ao mundo hoje. — contribui Hank.


— Certo. Está bem. — cede Xavier — Nós treinamos. Nós treinamos todos os dias e todos vocês darão o seu melhor. Da próxima vez, estaremos prontos.


— Concordo. — afirma Ciclope.


— E é provável que, com mais incidentes como esse, vocês todos desenvolverão fama, infâmia até mesmo. — afirma o professor — Precisarão achar meios de usar seus uniformes para esconder suas identidades. Vocês precisarão de nomes. Nomes que o público possa usar para lhes denominar.


— Tipo codinomes? Gostei. Posso ser o Homem de Gelo, por favor? — questiona Bobby.


— Vocês podem todos escolherem seus próprios nomes. — confirma Xavier.


— Acho que Anjo já pegou. — diz Warren.


— Suponho que sou o Ciclope. — decide Scott — Sabe, até que eu gostei.


— Aí, você é o Fera. — diz Bobby, cutucando Hank.


— Tal qual Scott e Warren, parece que estou preso a isto. — diz Hank, esboçando um leve sorriso — E até que tem uma sonoridade agradável.


— E você, Jean? — pergunta Warren.


— Sim, Jean. Você tem alguma ideia de como gostaria de ser chamada? — questiona o professor.


— Que tal... Marvel Girl? — sugere o agora Homem de Gelo.


— Até parece! — Jean exclama, rindo — Bem, podem me chamar disso se quiserem, não tenho nenhuma outra ideia.


— Com certeza vou te chamar de Marvel Girl. — confirma Bobby.


— Mas e quanto ao time? — questiona Hank. — Todo aglomerado de pessoas unidos por uma causa necessita de um nome grupal.


— X-Men! — exclama Bobby, empolgado. — Pensa nisso, os X-Men do Professor X.


— Lisonjeante. — comenta Charles — Ademais, combina.


— Tenho que admitir que parece bem legal. — diz Jean.


— Será X-Men então. — finaliza o professor — Comigo, meus X-Men, vamos ver se não conseguimos tirar essas marcas de batalha de seus uniformes.


E então as atenções se viram para uma cidade movimentada. Nela caminha o que quer que o passante deseje ver. Um homem charmoso, uma mulher esbelta, uma senhora gentil... Esse indivíduo então adentra um beco. Sua verdadeira forma de um homem barbado de sobretudo agora revelada enquanto não há mais ninguém por perto para ver algo além.


— Quem está aí? — questiona o homem.


— Acalme-se, Wyngarde. — diz outro homem, que surge das sombras, seu manto roxo e elmo vermelho revelando sua identidade: Magneto.


 O homem observa com medo enquanto ao seu redor latas de lixo e canos de esgoto começam a vibrar, afetados pela mera presença do indivíduo que ele era capaz de reconhecer dos noticiários.


— Nem considere tentar me enganar, seus truques baratos não funcionam em mim, ó, grande Mestre Mental. — Magneto diz, dotado de um pouco de sarcasmo, enquanto vê frente a si não um homem, mas uma criança assustada de aproximadamente doze anos.


— Eu não atendo mais por esse nome.


— Eu sei, mas lhe ofereço uma chance de ser algo mais.


— E o que seria? — questiona o homem de sobretudo, enquanto acende um cigarro.


— Um membro de minha Irmandade. — responde Erik, dispondo sua mão para que selassem um acordo.

PersonagensEditar