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Levítico
X-02
Informações Gerais
Série X-Men (NMU)
Temporada
Arco Primeira Classe
Número do Episódio 2
Sequência
Episódio Anterior Gênese
Episódio Seguinte -
Créditos
Escrito por Ark F. Scene

Levítico é o segundo episódio da série X-Men (NMU).

SinopseEditar

Com o surgimento de um novo mutante que passa a assaltar bancos no território americano, o treinamento dos X-Men e interrompido e eles precisam se esforçar juntamente a seu professor para neutralizar o criminoso, por quaisquer meios que sejam necessários. Em meio a isso, discórdia começa a se instaurar levemente dentro do time dos X-Men.

EnredoEditar

Quase duas semanas se passaram desde os eventos na Citadela do Cabo. O time, agora denominando-se os X-Men, treinaram fervorosamente desde aquele incidente. Neste momento, seu professor finalmente completara algo que levará o treinamento ao próximo estágio.

— Meus alunos — começou o professor, acompanhado de seus pupilos até o último andar inferior da Mansão Xavier, andar este que possuía a aparência de um bunker nuclear, que muito provavelmente era, frente a uma porta que abria-se devagar. — Bem-vindos à Sala do Perigo.

Abrindo-se a porta, o time se depara com uma grande sala, uma maravilha da tecnologia com luzes piscando nas paredes segmentadas, chão, e teto, enquanto vibrações pareciam emanar de todas as superfícies

— Uau... — exclamou Scott, adentrando a sala tentando conter sua empolgação, antes de dirigir o olhar a seu amigo agora conhecido como Fera. — Belo trabalho, Hank.

— Ora, obrigado, Scott. — responde o rapaz guiando a cadeira de rodas do professor em gesto de respeito, ciente do fato de que só com suas capacidades mentais o próprio poderia mover-se sem a necessidade de um guia.

— Você é realmente o garoto prodígio. — disse Warren, em tom de brincadeira, colocando uma de suas mãos no ombro de Hank. — Tem certeza que essa não é mais uma das suas mutações?

— Nem todos os dons são genéticos, Warren... — respondeu Hank, dirigindo-se ao painel de controle da sala para admirar suas próprias conquistas.

— Então é uma grande sala chique mas... O que ela faz? — questionou Jean, enquanto se colocava frente aos outros. — E por que estamos de uniforme...?

Com um sorriso, o professor Xavier trocou olhares com Hank McCoy, antes de se dirigir até a saída da sala e virar-se para seus estudantes.

— Estarei lá fora. — constatou, visivelmente animado com o que estava por vir, antes de requisitar ao Fera. — Henry, se puder fazer as honras.

— Evidente, professor. — respondeu Hank, mais sério que Xavier nisto, enquanto o homem mais velho saía pela porta que rapidamente fechava-se por detrás do mesmo. Em seguida, virou-se para o painel de comando novamente. — Sala do Perigo: programa de treinamento B1, nível três. Iniciar quando pronto.

"Ativado" soou uma voz feminina vindo das máquinas operadas por Hank, enquanto torres surgiam do chão e o relevo da sala se modificava para apresentar tanto obstáculos como posições de vantagem para os alunos.

— Vão atacar a gente, não vão? — perguntou Bobby, antes de ser interrompido por Hank.

— Pensem rápido, time. — disse Hank, antes de se mover rapidamente para detrás de uma mureta que se levantara do chão, na intenção de se defender dos tiros das torres. Havia deixado a surpresa da munição para descobrimento do mais descuidado entre eles.

Assim que as torres atiram, o Homem de Gelo percebe que todos os seus companheiros já haviam se protegido. O Anjo, atrás de uma coluna, a Marvel Girl através de uma barreira telepática, e o Ciclope ao lado do Fera. Só restava ele. Em um momento de desespero, fez o que não havia sido capaz de fazer antes. Quando o primeiro tiro tocou seu corpo, encontrou uma barreira de gelo, barreira esta que ele não deveria ser capaz de realizar sem algum tipo de fonte prévia.

— Caras... Eu consegui! — exclamou, antes do próximo tiro o atingir, desta vez rompendo sua armadura de gelo e o jogando ao chão. — Droga... Isso arde muito!

Antes do próximo tiro o atingir, entretanto, a torre foi atingida por um raio óptico de Ciclope, que logo se aproximou de seu companheiro e estendeu-lhe a mão. Um descuido, no entanto, que quase lhes custaria mais dano se não fosse pelo campo de força que Jean Grey colocara ao redor de seus amigos.

— São balas de efeito moral, meus caros, não se preocupem, o máximo que acontecerá é o surgimento de uma região roxa na parte atingida. — exclamou Fera, observando enquanto os tiros das três torres atingiam o campo de força.

No decorrer da semana, os X-Men treinaram dentro da simulação da Sala de Perigo de maneira constante, com a tutela do professor Xavier quando necessário fosse. Fizeram progresso, como Bobby e sua armadura de gelo, Jean e seu campo de força cada vez mais estável, dentre outros aprimoramentos técnicos que pertém ao próprio funcionamento da equipe. Mais do que tudo isso, até, se tornaram mais próximos.

— Não, pai... — dizia Warren, falando ao telefone. Havia sido interrompido por uma ligação repentina de seu pai enquanto conversava com Jean na cozinha. — Eu sei, mas eu realmente gosto daqui... Você disse que estava tudo bem.... Certo, diga à mãe que estou com saudades. Tchau, pai.

Enquanto isso, a jovem tentava não prestar atenção nos pensamentos do rapaz, mas não conseguia se conter. Havia muita angústia e rancor, talvez fosse de todos os estudantes o mais rejeitado pela família devido às suas mutações. — Desculpa, era meu pai. — disse ele, se dirigindo à ruiva sentada no lado oposto da mesa.

— É, eu... escutei. — respondeu, tentando fingir que não havia prestado tanta atenção quanto realmente prestou na conversa dos dois. — Ele sabe o que essa escola é, não sabe?

— Que nos vestimos de azul e amarelo pra lutar com caras de capas que jogam tanques na gente? — questiona, em tom de zombaria. — Não. Não, ele não sabe.

— Você entendeu, Warren. — disse, um pouco chateada com o tom de seu colega. — Ele sabe sobre o treinamento?

— Bem... De certa forma. — responde, um pouco incerto.

— De certa forma? — indaga ainda mais a jovem.

— Quando o professor apareceu meu pai ameaçou expulsar ele. "Nenhum filho meu vai pra uma escola de doidos"... — disse, antes de fazer uma breve pausa, refletindo sobre o que diria a seguir. — Mas de repente, não me pergunte como, o professor conseguiu o persuadir, e aqui estamos.

— Isso não te incomoda? O jeito que aconteceu. — questionou Jean.

— Não. — disse, embora incerto da própria resposta. Confiava no professor, sabia que ele queria o melhor, porém jamais teria certeza se seu pai tomou uma decisão consciente ou foi vítima da telepatia de Xavier. — Eu acabaria em algum internato, de qualquer maneira. E eu gosto daqui. Aqui eu posso andar sem esconder minhas asas. Você não tem ideia de como era ter que amarrá-las o dia todo. É como se ficasse algemado.

— É... Você e o Scott definitivamente devem se sentir pior do que o resto de nós. — disse ela, em tom de empatia.

— Acho que eu ganho essa. — interrompeu, um pouco incomodado pela menção a Scott. Apesar de amigos, havia uma certa rivalidade entre eles. — Os óculos do garoto soldado podem ser vistos em público. Asas de anjo... nem tanto.

— Bem, pelo menos vocês não precisam esconder nada aqui. Nenhum de nós precisa. — diz a garota, sorrindo.

Escutando do corredor enquanto Warren e Jean conversam na cozinha, a expressão de Scott Summers não esconde seus sentimentos.

— Ei, Scott? O que pensa de jogarmos basquete? — questiona Hank McCoy, se aproximando juntamente a Bobby Drake de seu amigo e notando seu semblante um pouco diferente do comum, apesar do comum ser praticamente inexpressivo. — O que você está fazendo parado no corredor? É a respeito de...?

— Nada. — logo interrompe Scott. — Nada, eu só estava passando e--

— Tá com ciúme, meu amigo monocular? — questiona o Homem de Gelo, em tom de brincadeira, enquanto apoia-se em uma parede e cruza os braços.

— Não. Óbvio que não. — disse, rindo levemente de forma nervosa. Era uma expressão incomum de Scott adotar.

— Ei, suas questões são suas questões. — começa Hank, colocando uma das mãos no ombro direito de Scott. — Mas, se está interessado na moça, talvez devesse dizer isso a ela.

— Não se preocupem com isso, certo? — diz Scott, enquanto se afasta na direção do átrio da mansão.

— Hum, acho que ele não quer ir jogar. — comenta Bobby, antes de receber um olhar de reprovação de Hank. Em seguida, dirigem-se a cozinha.

— E quanto a vocês dois? O que pensam a respeito de realizarmos uma atividade em conjunto na forma de um esporte? — questiona Hank a seus dois colegas sentados a mesa.

— Estou bem, obrigado. — diz Warren, ainda um pouco pensativo quanto a seu pai.

— Vocês dois vão na frente, eu vou terminar de comer. — responde Jean, enquanto termina de preparar um sanduíche.

— Beleza. — responde Bobby, saindo do cômodo e puxando o Fera pelo braço. — Até mais tarde, perdedores.

— Até depois, Bobby. Hank. — responde Warren, rindo.

Já na quadra de basquete da mansão, Hank e Bobby vão na direção do carrinho de bolas.

— Podemos usar poderes? — pergunta Bobby.

— Não. — responde Hank, curtamente.

— Por quê? — indaga o Homem de Gelo, insistentemente.

— Porque, meu amigo termodinamicamente acometido, eu lhe venceria facilmente. — concluiu Hank, sorrindo.

Da privacidade de seu escritório, o professor observava rapidamente seus alunos na quadra, feliz que estavam se dando bem. Em seguida, sentara-se, lendo a Décima Segunda Noite de Shakespeare com a televisão ligada nas notícias, apenas para que houvesse algum barulho de fundo. No entanto, de repente algo atiçou seu interesse no telejornal. "E, novamente, nossa manchete: mais de um milhão de dólares desapareceram hoje do Banco North Community em Chicago. Este é o terceiro furto reportado desta natureza a ocorrer nas últimas duas semanas. E, até hoje, não tínhamos nenhuma resposta. Agora vamos até nosso reporter na cena do crime, John Goat.

— Sim, um mistério, de fato. Atrás de mim está um cofre que antes guardava mais de quatro milhões em dinheiro. Agora, só guarda três. Sem ninguém rendido, sem nenhum homem mascarado entrando. Sem nenhuma fechadura arrombada. Inclusive, este cofre nem ao menos foi aberto. De alguma forma, como nos dois outros casos, o ladrão entrou e saiu com o máximo de dinheiro que ele ou ela poderia carregar. As equipes do CSI estavam embasbacadas, até que descobriram a seguinte filmagem. Olhe atentamente. Nós tivemos de reduzir a velocidade do registro a quase um décimo da velocidade para poder observar. Ali, no centro da tela, um flash de luz, e o dinheiro sumindo! Primeiramente a polícia supôs que algum tipo de máquina fosse responsável. Entretanto, se diminuirmos a velocidade mais ainda, pode-se perceber, no centro do flash, a figura de um homem. Presumidamente, o ladrão. Isto, junto ao recente ataque à Citadela do Cabo, por chamados 'mutantes', levaram as autoridades a apenas uma conclusâo: o ladrão é um mutante, um mutante que o time de investigação está chamando de 'o Eclipsador'."

— Um mutante? — questionara-se sozinho o professor Xavier, antes de mentalmente dirigir-se a seus alunos. "Comigo, meus X-Men! Temos um novo problema."

Momentos depois, todos os X-Men encontravam-se no escritório de Xavier, sendo introduzidos ao problema em questão pelo professor e por rápidas observações da filmagem capturada pelas câmeras de segurança do banco.

— O que quer que a gente faça, prof? — pergunta Bobby, um pouco preocupado.

— É... Mas a gente não pode ser a polícia pacificadora dos mutantes. — constata Warren, visivelmente apreensivo. O confronto com Magneto o deixara um pouco amedrontado sobre o futuro em um campo de batalha. — Podemos?

— Não mundialmente. — responde o professor. — Mas, por ventura, em casos como este, é exatamente isso que é necessário. Como fora no confronto com Magneto, o mundo precisa saber que um grupo como o nosso existe. Que nossa espécie como um todo não deseja simplesmente usar poderes para ganhos pessoais.

— Quer que o encontremos, professor? — pergunta Scott, mais calmo que seus colegas.

— Se possível talvez até convencê-lo a se juntar nós.

— Juntar-se a nós? — questiona Hank, surpreso.

— Esquecem-se que um dia também foram assim. Lembro-me de um Hank McCoy que usava seus dons para conseguir touchdowns até que as pessoas começaram a perceber seus pés extraordinariamente grandes. — comenta Xavier.

— Hm... — grunhiu Hank, um pouco desconfortável. — Compreendi seu ponto.

— Magneto estava... além de qualquer salvação. Mas sinto que devemos ao resto dos mutantes do mundo a chance que vocês todos tiveram. — continua Charles. — E se não fizermos nada sinto que as coisas só ficaram piores enquanto vivemos em um mundo que cada vez mais nos teme e nos odeia.

— Alguma ideia de quem ele pode ser? — indaga Ciclope.

— Havia um jovem mutante que eu uma vez encontrei na Alemanha com poderes semelhantes. Porém, não machucaria uma mosca, e sua aparência era mais incomum do que aquilo que as câmeras da CCTV captaram. — respondeu o professor.

— Então como a gente encontra ele? — pergunta Jean, também um pouco preocupada.

— O Cérebro. — responde Charles.

— O quê? — indaga Jean, novamente.

— Um novo equipamento que eu acabei de fazer funcionar. — explica Xavier. — Permite que eu use minha mutação para encontrar qualquer mutante no planeta.

— Como saberia por quem procurar? — pergunta Scott.

— Só preciso procurar alguém que não fique no mesmo lugar por muito tempo. — responde o professor X, se dirigindo a uma parede de canto de seu escritório. Com o pressionamento de um botão, um scanner de retina confirma sua identidade, fazendo com que a parede se retraia para o lado e dê lugar a um console. Em cima do mesmo, um estranho capacete, desenhando para se encaixar perfeitamente na cabeça de Xavier. O professor imediatamente o coloca.

— Tem certeza que está preparado para isto? — questiona Hank, um pouco preocupado pelo professor não ter pedido sua ajuda no projeto do capacete. — Acho que algum teste deveria ser realizado antes.

— Hank. Por favor. — pede Xavier. — Estou tentando me concentrar.

— Sim, senhor. — acata Hank, ainda apreensivo.

— Qualquer um poderia usar isso? Ou só ele? — questiona Jean para Hank, sussurrando.

— Suponho que só possa ser operado por aqueles com poderes telepáticos. É possível que sua pessoa também pudesse usar, Jean, mas mesmo para o professor considero um equipamento perigoso... — responde o Fera.

— Encontrei. — exclama Xavier. — Ele está em Washington. O que ele está planejando...?

— Certo, pessoal. Vamos. — sinaliza Scott.

— Vou preparar o novo helicóptero. — constata Hank.

— Não irei com vocês nesta. — diz o professor. — Não fui nada além de uma preocupação para vocês da última vez. No campo de batalha não se pode ter este tipo de luxo.

— Com todo respeito, senhor, o único motivo pelo qual não derrotamos Magneto nos primeiros dez segundos foi por causa de seu elmo. — disse Ciclope. — Até onde sabemos, esse cara não tem nada do tipo.

— É, você poderia fazer uma lavagem cerebral nele antes de ele se dar conta! — exclama Bobby, animado.

— Eu não usaria meus dons de maneira tão leviana. — disse o professor. — Se eu o fizesse, não seria nada melhor do que Erik.

— É, acho que sim... — concorda Bobby, um pouco decepcionado. — Desculpa.

— Mas você está certo... Então irei. Desta vez. — cede Xavier. — Se algo, para garantir a segurança de vocês.

Washington D.C., 23:31. Dentro do Primeiro Banco Nacional, o cofre permanece quieto. Silencioso. Em um silêncio que não duraria.

— Eu

— Realmente

— Preciso

— Começar

— A trazer

— Mochilas

— Maiores — diz o Eclipsador para si mesmo, enquanto teleporta-se pela última vez a seu ponto de extração atrás do banco, com várias mochilas cheias de dinheiro. Para sua surpresa, lá estavam os X-Men.

— Quem são vocês? — questiona o homem, com uma voz rouca, visivelmente cansado. — Vocês não viram nada...

— Nós vimos tudo. Nós sabemos de tudo. — diz o professor X. — Agora, senhor Porter, precisamos conversar.

— Não precisamos. Sumam. — disse o Eclipsador, enquanto teleportava-se.

— Professor, ordens? — requisita Scott.

— Não se preocupem, tenho certa noção de onde ele pode-- — dizia o professor, enquanto sirenes de polícia se aproximavam e, antes que notassem, estavam cercados por policiais.

— Parados! Mãos pro alto! — exclamou um dos oficiais.

— Quer que eu..? — questiona Marvel Girl.

— Não, Jean. — responde Xavier. — Eu cuidarei disto.

Os X-Men observam em surpresa enquanto a sirene fica cada vez mais devagar, junto a luz que emitia, e cada policial parecia estar parado no tempo, congelado no lugar. O mundo ao redor deles parecia ter sido interrompido, porém eles mesmos nada sentiam.

— Cara! Como você...? — indaga Bobby.

— Eles não terão memória deste encontro. — constata o professor. — O senhor Porter está num apartamento no sul da cidade. Vamos.

— As vezes ele me assusta. — cochicha Warren a Hank enquanto os alunos seguem o professor X.

Do outro lado da cidade, um apartamento normal e acima de qualquer suspeita abriga o procurado fugitivo. Lá, Telford Porter observava sua mesa de centro, com mochilas cheias de dinheiro, mas, além disso, detalhados planos de defesa, desenhos de armamento militar, e um mapa do próprio Pentágono. O homem então começa a fazer seu planejamento. Vai até seu computador e então começa a gravar. Enquanto fala, sua voz é criptografada em uma mensagem difusa.

— E aí, Pentágono... Parece que eu tenho algumas coisas que são de vocês, e, como já devem saber, eu posso ir praticamente pra onde eu quiser antes de qualquer um perceber. No caso de vocês, eu já fui. Roubar bancos foi só um começo. Isso... isso é o quão poderoso eu realmente sou. Os planos que vocês perderam... é, estão comigo. E eu tenho backups digitais, no caso de vocês terem algum meio de me rastrear. Não que não tenham tentado. Se os quiserem de volta, eu quero três bilhões de dólares.

— É um pouco demais, não acha? — comenta o Homem de Gelo, já na sala de estar do apartamento junto aos outros X-Men. — Eu estava mesmo me perguntando o motivo de você estar em Washington. — constata Xavier.

— Sabe que eles vão simplesmente mudar todos esses planos, não é? — zomba o Anjo.

— Como entraram aqui?! — indaga o homem, indignado. — Como me encontraram?!

— Porque somos como você. — começa o professor. — E eu posso lhe ajudar, após devolver todo o dinheiro que roubou.

— Até parece. — responde o criminoso, antes de tentar se teleportar, sendo interrompido por uma rajada de Ciclope. — Scott! — exclama Jean.

— Ele ia fugir de novo. — se justifica Scott.

— Essa é a ideia de vocês de me ajudar? — questiona Telford, caído no chão, antes de sacar uma pistola, que rapidamente levita de sua mão, sendo desmontada no ar com cada uma de suas partes lançadas um lugar diferente do cômodo.

— Eu fico com isso. Obrigada. — diz Marvel Girl, a responsável pelo desarmamento do sujeito. Em seguida, o mantém preso ao chão com seus poderes. — Bobby...

— A disposição, Marvel Girl. — responde o Homem de Gelo, congelando o chão e o próprio Eclipsador, no intuito de prendê-lo mais ainda. — Nossa, isso foi bem mais difícil do que usar água já formada. Mas gostei.

— Crianças idiotas... — amaldiçoa Porter, enquanto se teleporta usando o máximo de sua energia.

— Ele escapou... — exclama o Fera.

— Sim, mas está fraco. — consola Xavier. — Só conseguiu se teleportar até a rua. Estarei bloqueando seus poderes, mas não durará. Anjo, atrás dele.

— Sim, senhor. — responde o Anjo, pulando pela janela e seguindo o Eclipsador, agora incapaz de se teleportar e correndo o mais rápido que pode pela rua, respirando de forma ofegante tanto por fadiga quanto por pânico. Rapidamente, o Anjo o alcança.

— Só queremos conversar! — grita Warren.

— Sai de perto de mim! — exclama Porter, desesperado, até que o Anjo mergulha na direção dele, o derrubando ao chão. O homem mais velho tenta acertar um golpe, mas é bloqueado enquanto Warren tenta o imobilizar. Entretanto, uma cabeçada do Eclipsador permite que Porter se safe.

— Eu pego! — afirma o Fera, enquanto corre na direção de Porter em posição de galope, finalmente pulando em suas costas e o imobilizando no pavimento. Alguns passantes, observando a ação, gritam em terror, alguns chamam pela polícia, enquanto outros correm por suas vidas. — Você não irá a lugar algum, Porter.

— Como você é tão forte?! — questiona o Eclipsador, imobilizado em um mata-leão.

— Costumo malhar. — responde Hank, rindo.

— Temos que acabar com isso, Hank, a polícia vai estar aqui em breve. — comenta Ciclope, se aproximando juntamente a Jean, Bobby, e o professor X.

— De fato. — concorda Xavier. — Deixe que ele levante, Hank. Agora, senhor Porter, não tente... Ah.

— Ajuda! Tirem essas pessoas de perto de mim! — grita o criminoso, correndo ainda mais rápido dessa vez.

— Ciclope. — pede o professor.

— Com prazer. — responde Scott, antes de acertar diretamente uma rajada nas pernas do vilão, derrubando-o novamente.

— Tudo congelou de novo! — exclama Jean.

— Precisamos de um momento. — diz Xavier, enquanto se aproxima do Eclipsador, novamente caído ao chão. — Agora, senhor Porter, vamos a meu instituto, um lugar feito para mutantes como você. Como nós.

— Eu não quero me juntar a nenhum instituto. — diz Telford, visivelmente dolorido dos golpes que sofrera. — Não quero ser que nem aquele cara com capa na TV, eu só quero ficar rico.

— Mas quanto é suficiente? Quando seus crimes parariam? — indaga o professor. — Um bilhão? Três bilhões? Quantos países fará de refém até ter o suficiente?

— Isso não é da sua conta. — responde o homem, tentando se levantar. — Seu velho aleijado.

— Vamos a meu instituto. — insiste Charles.

— Não vou a lugar nenhum. — continua Porter. — E logo, quando vocês baixarem a guarda, eu vou sumir daqui. Eu posso fazer o que eu quiser, e você não pode me impedir.

— Apenas escute a razão. — diz Xavier, antes de ser interrompido.

— Eu disse pra sair de perto de mim. — diz o Eclipsador. — Agora!

— Entendo... — finalmente aceita Xavier. — Então não tenho escolha. Não posso permitir que suas ações continuem. Há muito em jogo.

— Onde eu estou? — indaga Telford, visivelmente confuso. — Quem são vocês?

— Professor, o que fez? — pergunta Scott.

— Eu entrei em sua mente, ele agora não tem memória alguma das últimas semanas, de como usar seus poderes, ou mesmo de que ele é um mutante. Seus poderes jamais se manifestarão novamente. — responde o professor X.

— Ah... — diz Bobby, enquanto Warren e Jean trocam olhares de preocupação.

— Eu também me eliminei das memórias da multidão. Tudo que viram foi os X-Men abatendo um criminoso procurado. — conclui o professor. — Agora, vamos pra casa.

O time mal conversa enquanto entram em seu helicóptero e começam a voar de volta para Nova Iorque.

— Eu entendo como estão se sentindo. — comenta Xavier. — Sou um telepata, afinal... mas não irei sair a campo novamente. O que eu fiz não deve ser feito de novo. Não pode ser. Esta foi a última vez. Da próxima vez, terão de achar outra solução.

Pelo resto da jornada, o grupo senta-se em silêncio. Porém, de todos eles, Jean é aquela que aparenta maior preocupação, já que tudo isso a lembrara de... algo. Ela decide deixar para lá, porém a sensação permanece no fundo de sua mente.

Já na mansão dos Xavier, os X-Men sentam-se juntos na sala.

— Não vou mentir, galera, me senti meio mal dele fazer isso. — diz o Homem de Gelo, enquanto deita-se no sofá, cansado.

— Você escutou, Bobby, não vai acontecer de novo. — comenta Ciclope, tentando se convencer de suas próprias palavras.

— Ótimo. — constata o Fera. — Começo a me questionar de nosso propósito aqui.

— É... — concorda Jean, sentando-se numa poltrona.

— De qualquer modo, alguém está disposto a um jogo na quadra? — questiona Hank.

— Agora? — indaga Bobby, cansado.

— Por que não? Precisamos nos desestressar. — explica o Fera.

— Claro. — diz o Homem de Gelo, embora exausto.

— Por que não? — concorda Warren.

— Parece bom pra mim. — diz Jean, feliz em se divertir um pouco com seus amigos.

— Scott? — indaga Hank a seu amigo que encontrava-se pensativo.

— Eu não sei. Estou cansado, acho que vou--

— Podemos usar poderes. — diz o Fera, sorrindo.

— Sério? — pergunta Scott, um pouco mais animado.

— Claro, contanto que prometa manter essa coisa na frequência mais baixa. — brinca Hank.

— Que seja então, vamos. — responde Scott, com um leve sorriso e uma expressão de felicidade genuína.

— Perfeito! Poderes liberados, fora os da senhorita Grey. — diz o Fera, enquanto os jovens seguem para a quadra.

— O quê?! Isso não é justo! — protesta Jean. — Por quê?

— Realmente necessito de explicar o motivo, Jean? — pergunta Hank, com uma leve risada.

— Eu nem sou tão boa em mover coisas ainda. — continua a protestar a jovem ruiva.

— Diz isso pro Eclipsador. — zomba Scott.

Xavier escuta as risadas de seus estudantes enquanto jogam, setado solenemente em seu escritório. Lá, ele se confronta com seus próprios pensamentos. Suas questões morais. Mas ele não está tão sozinho quanto pensa.

— O quê? — exclama, ao ouvir a porta se fechando atrás de si, e logo se vira, sentindo a mansão toda tremer sob seus pés.

— Realmente pensaste que eu esquecera onde vives, Charles? — questiona a figura que logo se revela, Magneto. A cada passo, o cômodo tremia.

— Erik... — reconhece o professor.

— Diga qualquer coisa... Chame qualquer um... Mesmo na sua mente... E eu levarei esta residência inteira ao chão em questão de segundos, colocando em risco as vidas de seus preciosos estudantes.

— Pensei que estivesse tentando ajudar mutantes. — diz Charles.

— E estou. É por esta razão que me encontro cá... — começa Erik, com o som de sua voz sendo suficiente para derrubar alguns livros da estante de Xavier. — Vim lhe dizer que fiques longe. Não tive paciência de enfrentar a ti e seus estudantes na base militar, porém não estou mais sozinho.

— O quê...? — indaga Xavier, antes de chegar a conclusão natural sozinho em seguida. — Está reunindo um time...

— Uma irmandade. E esta cresce cada dia mais. Logo todos os mutantes se juntarão a mim como confrades de armas contra os opressores. Contra os obsoletos. — explica o homem de capa. — O Eclipsador teria sido perfeito se tu não tiveste embaralhado-lhe o cérebro.

— Não precisa ser assim, Erik. — interrompe Xavier.

— Sabes que precisa, Charles. — infere Magneto, com um leve sorriso. — Não vim até aqui para ter o mesmo debate infindável. É evidente que jamais verá além de seu olhar cor-de-rosa para ver o mundo como verdadeiramente o é.

— Como você acha que verdadeiramente é? — pergunta o professor.

— Pare com esta bobagem, Charles. — se esquiva da pergunta o homem de elmo, fechando seu punho, no mesmo momento em que as luzes piscam e liberam faíscas. — Junte-se a mim. Juntos, nossos times seriam imbatíveis.

— Como você mesmo disse, sabe que não vai acontecer. — responde Xavier.

— Com você, talvez. — começa Erik. — Mas quando seus jovens perceberem que a única opção além da ostracização é juntar-se a mim... Duvido que escolherão a primeira alternativa.

— Não vou deixar que chegue a isso. — diz Charles. — E mesmo se chegar. Eles não fariam o que espera.

— Tens certeza disto? — indaga Magneto.

— Você prega seus ideais sobre uma raça mutante uida, e mesmo assim nos ameaça. — afirma Xavier.

— Se cinco... seis... Precisarem ser neutralizados para dar início a nova era, este é um preço que, apesar de com muito pesar, encontro-me disposto a pagar. — aponta Erik.

— E é por isso que nunca se juntarão a você. — constata o professor.

— Fique longe, Charles. — ignora o comentário e responde o homem de vestes escarlates. — Fique longe de meus afazeres e criarei um novo mundo para nós. Um mundo da forma que deve ser. Este é um mundo que eu quero que tu e teus estudantes vejam. Sem nem precisarem de sangue em suas mãos.

— Vá embora, Erik. — expulsa Charles, cansado.

— Adeus, Charles. Por enquanto... — se despede Magneto, enquanto abre a porta do escritório sem nem ao menos tocá-la. — Ah, e, Charles... Se ver a ti ou um de teus estudantes em meu caminho, lembre-se: sei exatamente onde moras.

PersonagensEditar

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